Os Mitos e as Instituições Sociais: o Eu e Outro.
- por silvino barros
- Publicados 9/09/08
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silvino barros
Sociólogo Economista Professor Universitário
Veja todos os artigos por silvino barrosUma vida sem sonhos e uma escola sem sonhadores
OS MITOS ESTRUTURANTES E AS INSTITUIÇÕES ESTRUTURADAS: uma vida sem sonhos e uma escola sem sonhadores.
Um mito tem o poder necessário de fazer com que um conjunto sistêmico de valores seja representado num contexto em que os papéis sejam específicos para que seus agentes sejam interdependentes, se relacionando conforme sua qualidade, bem como no Olimpo existia também pode existir na Terra. Lá, os deuses macomunavam e tramavam, das nossas mais triviais sátiras de nossa Senda às nossas mais profundas provações pelas quais um Ser-mundano de cruzar para vencer sua imcompletude corpórea. Cá, recebemos as inspirações advindas desse incosciente coletivo no qual coabitam os Mitos. Nós, cá pelas bandas da vida cotidiana de uma metrópole, ainda somos influenciados pela sutileza dos Arquétipos, sempre, seja na virtude do perdão e seja no mérito da fortuna, seja na simbologia do Tarot e seja na materialização da vizualização, respectivamente seguimos adiante das barreiras impostas pelas nossas Torres de nós mesmos.
As instituições sociais, por outro lado, não erigem nada mais que sua norma, sua burocracia protocolar e sua ineficiência paritéria em seus serviços públicos míopes e artríticos: curtos como um coiçe de porco. Mesmo assim, sabendo dessa imcompletude institucional, nós as mantemos firmes e, além do mais, às reproduzimos aos nossos descendentes: que violência simbólica, heim. Sem elas não coexistimos, por causa da liga que nos une em sociedade (a moral). Nessa luta constante entre linha e magem está o Ser a construir sua rede se usos e costumes, para deitar e esperar os frutos de sua idéia de solidariedade, de anomia e de barbárie.
Os mitos e as instituições se unem em um monumento, em um templo, em um lar, sempre, por meio da personificação de um valor que não nos é próprio por ser público. Quando nos damos às instituições não nos damos a nos mesmos, mas, ao outro. Por outro lado, quando nos damos aos mitos nos damos a nós mesmos, ao Self.
Individuar e viver o Mito, a fundo, pela vivência de seus conflitos e soluções mais profundas, a ponto se serem germinais a muitos sentimentos que não nos era revelado. Institucionar é viver o social, às vezes superficialmente apenas, pela protocolização do indivíduo em Estado. Ao ir dentro do Mito vai-se rumo ao simbólico, efêmero e limítrofe entre a consciência e a inconsciência de nós mesmos e de nossa coletividade. Por outro lado, ao ir-se na política institucional se vai para dentro do feixe de intenções públicas, aquelas vozes que nos dão segurança e apresentam certa aparência de coesão social: pela promessa de paridade de direitos e deveres em sociedade.
O Eu e o Outro estão e nos mesmos, caso percebamos os mitos e as instituições como presentes em nós mesmos, porque se um mito não representa o que seja humano e nem as instituições representam nossos mais sérios valores sociais eles perdem seus papéis e, como um sonho, passam deixando lembranças ou pesadelos. Portanto, ver o mito e ver a instituição soial como coisas que, às vezes nos apresentam exteriores, dotadas de sentido objetivo e coercitivo, valores morais e costumes tradicionais, dotados de historicidade pode ser um bom começo para a completude dessa nossa caminhada firme pelas certezas e incertezas da Senda dos mistérios da vida.
Se olharmos ao redor, para o cotidiano brasileiro de então, veremos claramente a interação entre mito e instituição social. Ora na interação simbólica entre as cartas do baralho e a vida social do brasileiro e ora na relação entre a linguagem dos escritores nacionais e suas instituições sociais, existiram certos momentos de sintonia entre o símbolo da riqueza de Ouros (época da mineração) com a sensação de terror e degradação humana em pleno Estado democrático de direito (pós 1964) para formarmos essa sociedade na qual congregamos valores sociais, econômicos e políticos (oriundos dos símbolos de status, fortuna e poder) atualmente, no Brasil.
Em época de política, como a que estamos experimentando nesses meses, existe um símbolo no ar, que nos move para lugares que, geralmente, não costumamos ir, nem em sonho: o Paço do Prefeito (Executivo) e a Casa do Vereador (Legislativo).
Num e noutro espaço do exercício dessa democracia representativa pela qual lutamos, desde 1824, em 2008 vamos completar mais um círculo, em que elegeremos nossos representantes. Eles, dotados de poder outorgado por nós, cumprem (ou longe disso) o seu papel de respondedores dos anseios sociais. É bem aí, nesse lócus do poder, que se formou, manteve-se e veio se reproduzindo, até hoje, o capital cultural simbólico de nossa cultura política brasileira, às vezes em torno das disputas objetivas em busca da garantia de mais espaço de ação pública e, por outras vezes, na ânsia de se obter garantias de mais representatividade política nas bancadas, isso, veio fazendo com que o símbolo e a coisa se chocassem ora pela vontade política do representante público executivo e ora pela retórica prolixa proferida em cima de uma tribuna do legislativo.
Dessa forma, o eu (mitológico) e o outro (materialista) convivem juntos, como o fazem a luz (paz) e a sombra (guerra), dividindo um mesmo espaço, separados apenas pela linha tênue do crepúsculo de nós mesmos (nos momentos de insegurança em que a razão falha). Nossas instituições sociais são solidificadas em nossos símbolos mais profundos e são personificadas em nossos mais objetivos sistemas de controle e coesão da realidade social. A Pátria e a Escola são exemplos dessa relação entre mito e coisa, entre o sentimento de identidade nacional com a bandeira e o resultado de uma escolarização de qualidade, formal e universalizada.
Nós amamos nossa bandeira e ainda não aprendemos a amar nossa escola. A escola (sistema de ensino público fundamental brasileiro) se tornou o palco de doloridas realidades de violência simbólica (sem plano) e física (com arma de fogo) entre estudantes e professores, pais e localidade, perdendo o seu histórico sentido humanitário e libertário, dando lugar à desmotivação atrás das grades e dos portões de ferro dos pátios que não servem mais ao esporte e, sim, para a segurança institucional.
Vamos resgatar a escola, numa vivência mental de cada um, assim como podemos fazer com os mitos, no intuito de salvar o Ser da ignorância, proporcionando a emancipação social dos falsos cognatos oriundos da realidade institucional que criamos e que, por fim, nos coage a sermos públicos e privados. A escola é pública porque seu resultado o é: então assumamos o controle de nossos mitos e construamos um mundo melhor para nossos semelhantes. Para que a juventude não se prenda em medos urbanos (tráfico na escola) e vontades vazias (demonstração de poder com arma) diante de seus semelhantes, a escola deve cumprir o papel de educar, sim, mas com apoio estrutural (prédios seguros) e psíquico (professores qualificados). Porque se assim não lutarmos o fim da escola pública de qualidade pode se tornar uma realidade e, depois, outros mitos piores podem ser despertados no inconsciente coletivo, levando a lugares que não vamos querer estar.
Ainda há tempo de unirmos os mitos, para salvar o desesperado. A união da profundeza das águas com a leveza do ar, junto com a norma culta e a cultura popular, resultará num Brasil de todos nós, em que as drogas não sejam atraentes e que as escolas sejam pedagogias da libertação. O mito e a coisa, o eu e o outro, o símbolo e a matéria são parte de nós mesmos quando vemos um Brasil assim. Não devemos esconder a cabeça dos efeitos que construímos, pelo contrário, devemos vivê-los com empatia, no intuito de libertarmos de tais amarras ou torres que nos aprisionam e comprometem a visão de mundo livre de máscaras e status. A violência nas escolas é gerada em dois planos, no mínimo: a casa e a rua. A casa é o lar, a tradição e a primeva socialização. A rua é a sala de aula, o domínio público que nós criamos, mantemos e reproduzimos às gerações vindouras. Assim, o mito e a coisa são o foco da mudança. Trabalhando o mito da violência e da loucura dionisiana, por um lado e, por outro, o aparato escolar disponível no Brasil, de forma a assumirmos as falhas de Dionísio (O Louco) dentro de nós e, depois, invertermos o fluxo dos recursos públicos para a educação de longo prazo, a educação volta a salvar, a libertar e a despertar o Ser. As grandes cidades estão repletas de escolas destruídas, que mais servem comorestaurante (coma merenda) do que pedagogia, com frequentadores que não têm estrutura alguma disponível a não ser o que está lá, sem teto e nem paredes, muito menos professores. Aliciada pelo crime, ela se vende, ora por medo e ora por falta de presença do Estado. Isso deve mudar, logo, para que não se cosntrua mais esse tipo de mito em torno da realidade institucional da escola brasileira: dor e sofrimento, bem como Pan ao ter sua flauta mágica roubada e, depois, ainda ser humilhado. Chega, vamos ajudar a nossa escola mais próxima, seja denunciando maus tratos e seja pintado um muro pixado: tenho que sair para ajudar! Tchau...
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1 resposta para "Os Mitos e as Instituições Sociais: o Eu e Outro." 
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disse isso no 27 Mar 2009 7:24:54 PM PDT
Muito bom professor! seu artigo será de grande valia para enriquecer nosso conhecimento nas relações humanas!
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