ESCOLA: UM DOS APARELHOS IDEOLÓGICOS DO ESTADO REPRESENTANDO A VERDADEIRA POBREZA POLÍTICA
- por ALACIR ARRUDA
- Publicados 2/09/08
- Educação
-
Avaliado:




ALACIR ARRUDA
" O PROCESSO DE LIMPEZA ETNICA NA EUROPA ORIENTAL- POS 1989" ED. ucla. edition - 1997
Veja todos os artigos por ALACIR ARRUDA
A escola não fala a língua do povo. Ela consegue tagarelar aquilo que a minoria quer ver repetido e reforçado pela maioria esmagadora que compõe a população brasileira. Os currículos são constituídos de falas e falácias extremamente incompreensíveis para aquele (a)s que vêem nesta instituição a mola propulsora para vencer na vida (sic!). Tanto é, que não existe o interesse que deveria haver nas questões relativas à formação humana. No entendimento de um número expressivo de professores, “isto é balela e discurso daquele(a)s que não têm nada o que fazer na escola e ficam inventando modismos. O importante mesmo são os conteúdos escolares, os conhecimentos científicos que os alunos têm que dominar, para se dar bem na vida. O domínio cognitivo é o que continua valendo. Sem essa de avaliação sócio-afetiva ! ”. Esta concepção de aluno vem dominando o cenário educacional desde o período jesuítico, passando, no século XVII, mais explicitamente, a focar a educação da nobreza. Foi neste período histórico que surgiu o criador de uma concepção, que perdura até os dias de hoje: o filósofo francês René Descartes (1596-1650). “Cogito, ergo sum” passou a ser o foco das atenções e o carro-chefe de Descartes. Segundo este mote (penso, logo existo), o sujeito individual, formado numa competência para ponderar e refletir, passa a ser o ponto de convergência do domínio cognitivo, do conhecimento (Hall, 2006). Século após século, até o atual, este é o paradigma do bom aluno. Este autor (Op. Cit.), em seus estudos sobre ´A identidade cultural na pós-modernidade` denuncia que “esta concepção do sujeito racional, pensante e consciente, situado no centro do conhecimento, tem sido conhecida como o ´sujeito cartesiano`(p. 27). Nessa reflexão, a escola continua inserida num contexto caracterizado por Althusser (1998) como Aparelho Ideológico do Estado. É ela uma das maiores, senão a maior, construtora de marionetes, que vêem o estado como o grande pai ou que se integram aos elementos que aceitam as ações dos governos como verdadeiras paternalizações. As ´beneficências`, as ´doações`, todos os tipos de vales (gás,
leite etc.). Para o alimento do espírito, o Pai Todo Poderoso, que nos nutre com as suas bênçãos. Para a matéria, o pai, também poderoso, que nos abastece com esses programinhas sem-vergonhas, que se transformam em verdadeiras rédeas eleitoreiras. Essas minúcias politiqueiras, vale a pena lembrar que Maquiavel ensinava o Príncipe a entreter o povo com muita festa e jogos, foi denominada por Foucault ( 1982) como Microfísica do Poder. Hoje, diante de tantas falcatruas que levam ao enriquecimento ilícito de uma minoria através das inúmeras imoralidades que fazem com a saúde pública, não se pode aceitar a implantação de um currículo escolar que reforce os anseios das classes dominantes desse país, prescindindo desses fatos que maculam o espírito do bom cidadão, do exemplar ser humano enquanto elementos de análise e discussão, como conteúdo escolar. Pedro Demo (2006), nesta linha de raciocínio, norteia que a pobreza política é bem mais profunda e arrasadora que a pobreza sócio-econômica, até porque esta é conseqüência daquela. Ao pobre não lhe é dado o direito (já que ele não tem forças para conquistar) de saber porque é pobre. Entendemos a partir dessa reflexão de Demo, que, antes do aluno, é necessário que o professor se enriqueça politicamente, para, então, incentivar aquele para a sua conquista nesse campo. Diante de tantas mazelas, de tão ignóbil ato de falsificação do leite e seus derivados, das bebidas alcoólicas (do whisky à cachaça), ficaria difícil para o homem do povo, se consciência política tivesse de que essas ações o prejudicam profundamente, querer afogar as suas mágoas com um porre homérico, não cabem falas e falácias da escola, que buscam dar continuidade à formação de sujeitos cartesianos num currículo não constituído de matrizes, mas, ainda e por muito tempo, de grades curriculares, aprisionando a criatividade do povo brasileiro e desrespeitando o seu cotidiano, a sua história. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALTHUSSER, L. P. Aparelhos Ideológicos de Estado. 7ª ed. Rio de Janeiro: Graal, 1998. DEMO, Pedro. Pobreza Política - A pobreza mais intensa da pobreza brasileira. Autores Associados, Campinas, 2006. FOUCAULT. Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1982. HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Tomás Tadeu da Silva e Guaracira Lopes Louro. – 11. ed. – Rio de Janeiro: DP&A, 2006
Compartilhe esse Artigo!
Anexos
2 respostas para "ESCOLA: UM DOS APARELHOS IDEOLÓGICOS DO ESTADO REPRESENTANDO A VERDADEIRA POBREZA POLÍTICA" 
|
disse isso no 26 Sep 2008 12:42:10 PM PST
Li o seu artigo, sou professora de Português em São Paulo. Acho que tentando impor um sistema de ensino onde a liberdade de aprender e a valorização apenas da cultura popular só levará a mais alienação. Não é valorizando nossa cultura e tratando-a como predominante que tornaremos nossos alunos críticos e capazes de transformar essa realidade. Temos que colocá-los em contato com as diversas culturas existentes e mostrarmos que a cultura em que ele é está inserido é apenas uma variante de outras existentes e que nessa variedade existe uma relação dominante-dominado que só poderá ser transformado se os alunos forem competentes e preparados para fazer parte dessa transformação. Sinceramente não acredito que essa transformação acontece se o processo educativo correr tão solto e liberal como ocorre atualmente.
|
|
disse isso no 07 Oct 2008 12:21:24 PM PST
Queria acrescentar que à escola não compete a ação de transformar a sociedade, mesmo se todas as escolas fossem formadoras de cidadãos críticos e reflexivos não podemos esquecer que é uma falácia dizer que todos poderão chegar ao nível superior se a escola for eficaz, desenvolver as competências, ser significativa etc... O que querem obscurescer é o fato de que somente com salários para os profissionais de nível médio dignos que permitam um vida prazerosa é que a procura pela universidade reduzirá e o interesse pela aquisição de competências será desenvolvido no aluno.
Para tudo é preciso um objetivo, todos procuram a universidade porque desejam melhores salários, poucos a procuram porque querem construir conhecimentos... A escola de níveis básicos poderão ser mais eficientes se deixarem de forçar os alunos fracos a estudarem assuntos que não lhes são significativos.
A escola precisa estar pronta para ensinar, mas obrigar o aluno, contra a sua vontade, a estudar, não deixa de ser uma forma de violência, o que contradiz a própria ideologia escolar que deve formar cidadãos críticos que defendam suas posições.
|


Autor)

