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(En) Cantos da Bíblia
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Cíntia Rosa
FORMAÇÃO EM LICENCIATURA EM LETRAS (UEPG), ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO ESPECIAL(IBPEX), ATUALMENTE TRABALHA COM AS LÍNGUAS INGLESA E PORTUGUESA NA INSTITUIÇÃO ADVENTISTA SUL PARANAENSE. 
por Cíntia Rosa
Publicado 1/09/08
 
O gosto pela leitura está intrinsecamente associado aos estímulos que desde muito cedo se proporcionam à criança, antes mesmo do seu nascimento. O contexto familiar é de grande importância. Crescer no meio de livros e ver, à sua volta, as pessoas a ler pode ser um excelente início na formação de um leitor. Várias são as estratégias para formar um leitor e uma delas é o uso da bíblia para estimular a leitura saudável. Assim como os valores, a moral e os bons costumes, a leitura também deve ser ensinada desde a mais tenra infância. A mais importante estratégia para unir todos estes importantes elementos é usar a bíblia como o principal apoio didático familiar e escolar. Se as crianças crescerem saboreando as diversas histórias bíblicas,as personagens, as aventuras e a imaginação saudável tornarão a pessoa mais suscetível ao estudo e hábito da leitura.

Projeto para a formação de leitores, desenvolvido em Colégio Privado.

(En) Cantos da Bíblia

 

“Eu não vou conseguir! É muita coisa pra ler!” Foi o que ouvi dos alunos de 5ª série do Colégio Adventista São José dos Pinhais no 1º dia de aula ao passar as diretrizes do ano letivo. Somando um total de leitura de 8 livros por ano, os pré e atuais adolescentes assustaram-se ao pensar em tantas páginas prontas a devorá-los ao primeiro descuido.

O colégio Adventista São José dos Pinhais se localiza no centro da cidade e atende diferentes níveis de situações econômicas, privilegiando tanto alunos favorecidos financeiramente quanto bolsistas carentes, com um estudo de qualidade que visa preparar o educando para a vida em comunidade e conseqüentemente, para a vida eterna. Dentro de um contexto tão diversificado, não é difícil perceber que, cerca de 90% dos alunos não têm o hábito da leitura incutido em seus interesses.

Preocupada em incentivar e não imputar a leitura aos meus alunos, refiz mentalmente toda a minha trajetória de leitora assídua para tentar descobrir em que etapa os educandos perdem o verdadeiro significado do vocábulo ler. Para isso, faremos uma breve análise sobre o que é e como se forma o hábito da leitura e também algumas considerações pertinentes ao ensino deste hábito.

 

Leitura em família

Ler. Palavra curta, verbo comum. No entanto, nunca se viu tantas idéias, tantos projetos a fim de que os nossos alunos o pratiquem.Professores que mais parecem acrobatas ao efetuarem diferentes e audaciosas performances. Este projeto não apresenta um milagre para tais alunos lerem, mas apresenta a fórmula de conduta para os pais que desejam ter filhos educados, criativos, autônomos, amantes da leitura saudável e principalmente filhos de um Deus salvador.

O gosto pela leitura está intrinsecamente associado aos estímulos que desde muito cedo se proporcionam à criança, antes mesmo do seu nascimento. O contexto familiar é de grande importância. Crescer no meio de livros e ver, à sua volta, as pessoas a ler pode ser um excelente início na formação de um leitor. Foi com este pensamento que o 1º passo foi descobrir se os pais estão cumprindo o seu devido papel de incentivo à leitura e de que forma o estão fazendo. Lancei neste primeiro momento, uma pesquisa de caráter participativo e não como obrigatoriedade, deixando os pais livres e à vontade em respondê-las verdadeiramente.

O inquérito foi referente ao gosto pela leitura, freqüência, gênero literário preferido, quantidade lida por ano e se mantêm o hábito de leitura em família. Além de dar espaço para os pais darem sugestões de trabalhos de leitura para seus filhos.

A análise deste inquérito teve papel fundamental no desenvolvimento de todas as atividades

Dos 70 inquéritos distribuídos,  cerca de 50% retornaram.  Avaliando a baixa taxa de retorno, consideramos que a participação dos pais não é muito ativa em relação às atividades escolares dos filhos.

 

Perante os resultados, o que concluir? Em primeiro lugar, sobressai a importância que as famílias dão à leitura, no entanto, lêem poucos livros por ano
Em segundo lugar, é interessante constatar que se as crianças não aprendem a ler desde cedo, provavelmente, pelas vidas atribuladas e cheias de afazeres dos seus pais, como irão aprender isto na escola?

Por último, e numa leitura comparada com os resultados do estudo Hábitos de Leitura - Um Inquérito à População Portuguesa (Eduardo de Freitas, 1997), pode-se concluir que os valores locais que obtive não estão longe dos nacionais.

As conclusões parecem insuficientes e levantam-me outras tantas questões: Que leitura faltará? Será a dos livros? Ler, para dar o exemplo. E se, num contexto familiar favorável à leitura, as crianças pouco lêem, o que estará então a falhar? O que deverá o professor reformular ou inventar para que o número de leitores aumente?
          Várias são as estratégias e uma delas é o uso da bíblia para estimular a leitura saudável. Assim como os valores, a moral e os bons costumes, a leitura também deve ser ensinada desde a mais tenra infância. A mais importante estratégia para unir todos estes importantes elementos é usar a bíblia como o principal apoio didático familiar e escolar.

 Se as crianças crescerem saboreando as diversas histórias bíblicas. As personagens, as aventuras e a imaginação saudável tornarão a pessoa mais suscetível ao estudo e hábito da leitura.

 

Conteúdos e objetivos

A minha principal meta era que os alunos desenvolvessem a escrita, a oralidade e o poder de argumentação com base na leitura e no estudo da bíblia. O projeto durou 1 bimestre mas os seus resultados se estenderam até o fim do ano letivo.

O conteúdo trabalhado esteve de acordo com  o planejamento anual dentro da disciplina PTL( Produção de Texto e Literatura) e Língua Portuguesa: música, poesia, comparação, enumeração e carta.

Após debater sobre a definição de poesia e fazer a leitura em conjunto de diversos salmos, a 1ª atividade aplicada aos alunos foi decorar 5 versículos de 1 salmo de sua preferência. A intenção era aplicar a expressividade e treinar a  oralidade.

Tal atividade causou grande alvoroço na classe e deu-me grande emoção ao ver meus alunos, alguns pela 1ª vez, recitando versos da bíblia.

A 2ª atividade foi aplicada como tarefa da matéria de língua Portuguesa e tinha como objetivo a leitura e criação de provérbios. Abaixo alguns provérbios criados pelos alunos:

“Bem aventurados aqueles que tiram notas boas.”

“Bem aventurado é aquele que faz sua tarefa com antecedência.”

“Vive bem aquele que não pratica o mal.”

“Obedecereis e Deus te abençoará.”

 

Sabendo que o mais importante em aprender redação é desenvolver nossa linguagem, para que nossos textos possam ser escritos com desenvoltura, com segurança e com prazer, usei de um processo chamado enumeração que permite ao aluno, desenvolver a técnica de criar. Enumeramos os livros da bíblia, antigo e novo testamento, e também a criação de Deus em seis dias literais e discutimos o que foi feito no sétimo dia. Foi uma atividade dinâmica e prazerosa.

A arte de comparar e fazer analogias são, para o educando, duas coisas totalmente confusas. Pensando nisto, comparamos os livros de Mateus, Marcos, Lucas e João, onde retratam o nascimento de Jesus, ou como é o caso de Marcos, que já começa retratando a Sua vida adulta. Lemos e analisamos todas as diferenças e semelhanças de linguagem e expressão dos autores.

Para introduzir a noção e o conceito de carta, além de passar as normas atuais, também fizemos a leitura em conjunto das diversas cartas de Paulo às igrejas antigas. Observamos a saudação, o corpo e a despedida, itens básicos de uma carta formal. E para observar o que foi aprendido, cada aluno fez uma carta para Deus. Uma oração contando seus problemas, dificuldades e alegrias. A carta foi enviada ao meu endereço, corrigida e devolvida com a certeza de que eu estaria orando pelos pedidos e agradecimentos. Descobri a luta de uma família à espera de uma cirurgia para um filho deficiente, a insatisfação de uma aluna que não gosta da escola, influenciada por uma novela atual e pais que devem várias prestações do apartamento que moram. Esta proximidade com os problemas dos alunos e dos seus pais trouxe-nos uma intimidade e companheirismo que somente nós podemos avaliar.

Estudando e interpretando música, lemos diversos cânticos de Davi além de, ouvirmos e interpretarmos uma música sobre o salmo 46. Os alunos também apresentaram músicas sacras para a turma.

E, a atividade mais interessante e que levou mais tempo foi a ficha de leitura do livro de Jonas. Um livro curto, direto, mas que nos fez refletir sobre inúmeras atitudes. Tudo foi elaborado pelos alunos, escrito dentro das normas simplificadas de elaboração de trabalhos e apresentadas para a turma de forma criativa com maquetes, teatros de sombras, história em quadrinhos, encenação, jogral e até mesmo com esculturas de argilas. Foi um momento rico e muito criativo.

A bíblia foi o recurso mais importante a ser utilizado, no entanto, alguns outros serviram para melhor fixação do conteúdo, entre eles: aparelho de som, envelopes, materiais diversos para apresentação criativa e outros.

Em seu livro Educação (pág.123) Ellen White retrata o valor didático da palavra de Deus: “A bíblia contém todos os princípios que os homens necessitam compreender a fim de se habilitarem tanto para esta vida como para a futura.”

A bíblia é o livro mais eficiente para o preparo mental. Ela possui uma vasta série de estilos e assuntos. Para uma sociedade que vive da imagem, a bíblia apresenta diversas histórias que se enquadram neste perfil.Para cada gosto e interesse há um livro propício. Nela encontramos biografias, histórias, mistérios, surpresas, provérbios, cânticos e muito mais. Todas as necessidades básicas de ensino-aprendizagem podem ser supridas por ela.

Se existe gente que gasta mais dinheiro com refrigerantes do que com livros, é pelo simples fato de que gosta de refrigerante, de que sente prazer em bebê-lo. As crianças que, desde os primeiros anos de vida, se habituam a manusear livros infantis coloridos sobre personagens bíblicos e ouvem histórias bíblicas pelos pais e avós; que, mais tarde, lêem estas histórias; essas pessoas sentem um imenso prazer na leitura, porque experimentaram esse prazer de modo adequado às etapas da sua vida, e em doses certas, até o ponto de tomarem consciência de que, juntamente com o prazer que oferece, a leitura transmite raciocínios, faz germinar idéias, ensina silenciosamente a escrever e a falar com clareza, estimula a imaginação, amadurece a sensibilidade etc.

Dentro da visão bíblico-cristã os alunos que participaram deste projeto, desenvolveram um grande interesse pela leitura da bíblia ,além de apresentarem melhor compreensão e elaboração de textos. Na  oralidade e expressividade obtemos o resultado mais visível .

 

 

 

Referências

 

FREITAS, Eduardo; CASANOVA, José Luís; ALVES, Nuno de Almeida (1997): HÁBITOS DE LEITURA: Um Inquérito à População Portuguesa, Lisboa: Publicações Dom Quixote

 

WHITE, Ellen. EDUCAÇÃO,Casa Publicadora Brasileira:Tatuí SP,1977