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A AIDS não é uma doença crônica
- por Cláudio Santos de Souza
- Publicados 17/08/08
- Medicina e Saúde
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Cláudio Santos de Souza
Sobrevivente é a palavra. Morei 5 anos nas ruas de São Paulo até que uma GP me tirou da miséria. Acabei me tornando DJ e disso vivi por 13 anos, até que veio o diagnóstico positivo para HIV, hoje mantenho um site de prevenção à AIDS em http://www.soropositivo.org. Pretendo publicar artigos elucidativos aqui
Veja todos os artigos por Cláudio Santos de SouzaÉ uma doença degeneratuva relativamente incurável
A AIDS não é uma doença crônica
AIDS nao é uma doença crônica. Há muito tentam passar esta mensagem, de que a AIDS é uma coisa crônica.
Nao é.
E ainda que fosse ela acaba matando.
E manter-se vivo tem um preço.
Minha esposa é portadora há 19 anos, eu há 13, e nós estamos juntos há nove; conhecemo-nos pela Internet, numa sala de bate papo voltada para soropositivos no UOL.
Todos os dias, às 19h40, eu tenho de aplicar uma injeçao nas costas dela, ou na barriga dela, para tentar uma terapia de resgate, uma vez que ela está em falencia terapeutica, com o vírus resistente a todas as drogas licenciadas no País, e nao há mais o que possa ser feito, dado que ela está com cd4 < 200, e isso caracteriza a AIDS (nao infecçao por HIV, uma coisa distinta).
AIDS é uma doença degenerativa relativamente controlável.
Para esmiuçar a coisa eu digo que é mais fácil viver com AIDS do que com lúpus; é mais fácil viver com AIDS do que com esclerose múltipla; e é mais fácil viver com AIDS do que com Distrofia Muscular de Duchenne.
Mas a lista de doenças com as quais se vive de maneira mais árdua do que com AIDS é uma lista pequena e, por isso mesmo, desprivilegiada. É uma lista que inclui doenças raras, de pouca incidencia, normalmente de origem genética.
Quem vive com HIV quase que forçosamente vai lidar com triglicérides alto, com problemas vasculares, com pressao alta (eu já sofri uma embolia pulmonar e um enfarto como conseqüencias indiretas da convivencia com o vírus, e tenho sérios problemas neurológicos devido ao neurotropismo do HIV), com morte social (um sintoma especialmente cruel), e com outras coisas que nem vou mensurar porque penso que sao besteiras... (o fungo que tomou conta do meu rosto e que me obriga ao uso constante de cetoconazol com sérias implicaçoes hepáticas é uma destas besteiras).
O governo trata.
Mas o novo consenso só trata quando vc chegar ao CD4 em 200 ou < 200.
Vou lhe sugerir uma pesquisa:
Três palavra no Google:
Lipodistrofia.
Fuzeon
Kaletra.
E este link http://www.soropositivo.org/facinfo.asp?menucod=400
O site é de minha lavra.
2.100 páginas falando sobre tudo o que pude encontrar sobre HIV e AIDS, mantido as minhas expensas durante oito anos e visitado por quase 1.500.000 pessoas, não tem patrocínio, é ignorado sistematicamente aqui no Brasil por autoridades, por empresas, por Deus e pelo diabo mas eu vou levando...
Eu falo com propriedade.
Com treze anos de vida arrastados através de inúmeras seqüelas e efeitos colaterais de inúmeras drogas e, malgrado tudo isso, é quase líquido e certo que morrerei disso, sem ter recebido nenhuma ajuda para manter o site que tem auxiliado a esclarecer mentes sobre a maneira como conviver com a realidade do vírus, evitando-o, ou conviver com a realidade do vírus, combatendo-o da melhor maneira possível.
Sugiro que voce procure, em depoimentos pessoais, o de Amarílis, uma pessoa muito querida, que faleceu aos 42 anos, tomando medicamentos regularmente, vitima de uma doença oportunista que pegou a todos de surpresa (nao foi a primeira vez) e ceifou-lhe a vida sem dar a menor leniencia.
Por favor, eu imploro, nao transmita a falsa idéia de que a AIDS é uma doença crônica.
É uma doença grave.
Mortal.
Incurável.
Nao queira sentir isso na pele.
Nem no sangue.
Cau
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1 resposta para "A AIDS não é uma doença crônica" 
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disse isso no 11 Aug 2009 1:09:59 PM PST
Brilhantes pensamentos geram brilhantes artigos.Parabéns!! Só não entendo o porque,escolhemos nossos próprios caminhos e ,meios de levar a vida ,mas quando algo não dá certo ou se distancia de nossos ideais ,precisamos de um culpado para dividir nossas mazelas e dar a ele o dever de nos retirar de todo os conflitos que arrumamos...Dentre esses culpados, há um que nem sempre convidamos a fazer parte de nossas vidas,mas sempre atribuimos a ELE a culpa,ou a não resolução de nossos problemas:DEUS.. Quem sabe se tentassemos ouvi-lo melhor e partilhar com ELE nossos projetos,teríamos maior êxito em nossas vidas;se não conseguissemos cura,resoluções,teríamos ao menos um amigo capaz de renovar nossas forças e ânimo.Saudações a todos os que são gratos pela vida e entendem que um dia seu ciclo fecha,só não precisa fechar com tanta angústia e ingratidão
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