Tá, vocês vão dizer que pichação não é arte, mas grafitti sim; que pichação é poluição urbana, e grafiteiros são os favelados do bem. Mas cara, eu acho grafitti a maior coisa de malaco querendo se pagar de artiste moderne.
É uma técnica que todo mundo vem dizendo ser a expressão artística das ruas, dos guetos, do jovem e do street. Na verdade, não tem nada de "voz do povo", eles pagam um cursinho bacana, picham o muro dos outros com desenhos de latas de lixo distorcidas, ganham horrores e são festejados pela crítica alienada.
Convenhamos, a pichação tem muito de vandalismo, rebeldia sem causa, baderna e poluição urbana. Desprezível encontrar palavrões e desenhos obscenos nos muros de escolas, por exemplo. Mas há, numa parcela consideravelmente alta, o protesto, a contra-cultura, o contra-sistema, a difusão do ideal punk e/ou posição política. Isso o grafitti não tem, por mais elaboradas que sejam as técnicas dos grafilacos cagarem com os desenhos.
Portanto, a pichação é a genuína street art. Claro, isso não significa que só haja um jeito de pichar. Observe, por exemplo, as inovadoras pichações a laser expostas no site do Weburbanist: Lisérgicas e psicodélicas, teriam feito um sucesso nos anos 70. Bem feito pros hippies, é tudo nosso.