o universo
O UNIVERSO.
centenas de bilhões de estrelas,dispersas em bilhões de galáxias,por sua vez perdidas numa imensidão silenciosa,vazia e gelada.O pensamento entra em pânico diante desse universo tão diferente dele e que lhe parece monstruoso,tirânico e hostíl:por que ele existe? por que existimos através dele?.
Vinte bilhões de anos após seu aparecimento,a matéria continua sua corrida no espaço tempo,para onde ela nos leva?.
A cosmologia responde que o universo não é eterno,que ele terá um fim,ainda que este fim esteja imensamente distante.Não poderá escapar a uma dessas duas mortes possíveis:a morte pelo frio ou a morte pelo fogo.
No primeiro caso,o universo é considerado aberto,sua expansão continua indefinidamente,as galáxias perdendo-se no infinito,enquanto as estrelas se apagam uma a uma,depois de irradiar suas últimas reservas.Para além da duração de vida do próton,a própria matéria se desagrega,vem o ultimo instante,aquele em que as ultimas poeiras cósmicas são por sua vez tragadas no seio do imenso buraco negro em que se transformou o universo agonizante.Enfim,o próprio espaço-tempo se desfaz:tudo volta ao nada.
De um ponto de vista metafísico,nada é mais pungente do que esse incêndio,essa ascensão de uma neve de matéria,essa lenta desconcentração,essa irradiação ilimitada,que se reveste de todas as cores do arco-íris antes de se esvair.
Do que será feito esse nada? o que restará da informação acumulada durante centenas de bilhões de anos,por toda parte no universo?.
Pode-se admitir,com a maioria dos físicos , que a aquisição de informação (isto é , de conhecimento) consome energia e provoca portanto o aumento da entropia global de um sistema,a entropia mede a desordem física de um sistema,é ao mesmo tempo um indicador indireto de uma quantidade de informação detida,localmente,por esse mesmo sistema.
O universo nos parece como finito,fechado sobre sí mesmo,se o compararmos a uma bolha de sabão que enche tudo, o que há em torno desta bolha? de que é feito o exterior desta bolha?.É impossível imaginar um espaço no exterior do espaço para conte-lo, '' o universo parece contruído e regulado com uma precisão inimaginável '', o que podemos pensar de um universo situado entre dois nadas? essencialmente isto: este universo não é um ser em sí,então supõe-se a existência de um ser fora dele.
Faz meio século que henri bergson expirou , perseguido , como todos os filósofos,pela ultima interrogação,murmurou: '' o universo é uma máquina de fazer deuses ''.