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A “CAIXA PRETA” DA CONTABILIDADE
- por Silvio Bianchi
- Publicados 11/08/08
- Finanças , Administração
-
Avaliado:




Silvio Bianchi
Silvio Bianchi é Contador Público-Licenciado em Administração, com Pós Graduação em Gestão de Organizações Sem Fins Lucrativos. Master Coach Internacional, certificado pelo Behavioral Coaching Institute. Executive Coach, Personal & Professional Coach, pela Sociedade Brasileira de Coaching. Sócio-Diretor de BSB & Associados, empresa de consultoria em Administração e Finanças, Coaching, Gestão de Projetos, Gestão de Empresas e ONGs. (sbianchi@bsbassociados.com.br) http://bsbassociados.com.br
Veja todos os artigos por Silvio Bianchipor Silvio Bianchi, Sócio-Diretor de BSB & ASSOCIADOS
Muito se tem ouvido e falado acerca das caixas
pretas dos aviões, principalmente após o enorme acidente no aeroporto de
Congonhas há um ano.
O que é uma caixa preta?
Segundo a WIKIPÉDIA - a enciclopédia livre -: “A caixa-preta
ou caixa-negra é nome popular de um sistema de registro de voz e dados
existente nos aviões
(e mais recentemente nas locomotivas dos Estados Unidos da América e Europa). O som
ambiente das cabinas de comando e do sistema de áudio é gravado pelo
"Gravador de Voz", ou CVR (de Cockpit Voice Recorder), e os
dados de performance como velocidade, aceleração, altitude e ajustes de
potência, entre tantos outros, é gravado em outro equipamento conhecido como
"Gravador de Dados", ou FDR (de Flight Data Recorder). São,
portanto, dois equipamentos distintos e independentes, mas ambos com uma
inscrição eletrônica de tempo, que é fundamental para colimar ou superpor os
eventos de voz com os eventos de performance.
São colocadas, normalmente, na cauda do avião e
feitas de materiais muito resistentes, como aço inoxidável e titânio, capazes
de suportar uma aceleração de 33 km/s², um impacto de 3.400G (1G= força de
gravidade da Terra), temperaturas de até 1.100º C por uma hora, e pressão
aquática em profundidades de até
Mas, existe outra definição de caixa preta. O Dr.
Michael Behe, no seu livro “A Caixa Preta de Darwin”, define a caixa preta como
um dispositivo que exerce alguma função, mas cujo funcionamento interno é, de
certa forma, misterioso (ou porque seu funcionamento não pode ser visto, ou
porque não é compreensível).
Para o autor, um exemplo
de caixa preta seria um computador. E continua: “(...) A maioria de nós o
utiliza sem nenhuma idéia de como ele funciona ao processar palavras, gráficos
ou imagens. Mesmo ao tirarmos a tampa do gabinete, dificilmente poderíamos
encontrar alguma ordem nas peças que ali se encontram. Não há uma conexão simples entre as partes de um computador e as coisas
que ele faz”.
E a contabilidade, será
uma “caixa preta”?
Para muitos empresários,
“(...) a contabilidade é como o computador, não tenho idéia nenhuma de como
funciona, mas é necessária. E os seus resultados... Todos os meses, eu
encaminho para meu contador a papelada da empresa (notas fiscais, faturas,
recibos, boletos bancários pagos, o extrato bancário, etc.) e a saída são os holerites,
DARFs e GPSs da vida (não sempre do jeito que eu pretendia)...”.
Mas esses “holerites,
DARFs e GPSs” são somente uma parte, a mais conhecida e menos popular, das
informações produzidas pela contabilidade. Também estão os relatórios contábeis
que ajudam ao empresário a conhecer a marcha dos negócios e tomar decisões
baseadas nestes relatórios.
Desvendando os
relatórios (demonstrações contábeis) produzidos pela contabilidade.
Não é o objetivo deste
artigo “abrir a caixa preta da contabilidade”. O empresário deve de ficar
atento na hora de contratar “o contador” ou “o escritório de contabilidade”, de
contratar profissionais idôneos (graduados universitários e inscritos no CRC).
Se o empresário segue esses requisitos, não precisa se preocupar de abrir a
“caixa preta”. Isso não significa que deva ficar de olhos fechados.
Mas meu interesse é de
falar acerca das demonstrações contábeis tradicionais. Neste caso, mesmo com a
ajuda de um profissional, o empresário
deve abrir a “caixa preta” e interpretar essas informações.
BALANCETE DE VERIFICAÇÃO:
É um listado de todas as
contas contábeis da empresa e de seus saldos a uma determinada data.
O balancete de
verificação foi muito necessário antes da utilização do computador para
realizar os lançamentos contábeis e para calcular os saldos de cada conta do
balanço. Baseado no principio da partida dobrada (na contabilidade, todo
lançamento a débito deve de ter um lançamento a crédito pelo mesmo valor), a soma dos saldos das contas com saldo devedor deve de ser igual à soma dos saldos das contas com saldo credor. Este relatório
é utilizado como insumo para a preparação de outros, principalmente aqueles
fora dos relatórios padrão da contabilidade (relatórios extra contábeis).
BALANÇO PATRIMONIAL:
É uma demonstração contábil
que apresenta a situação econômica e financeira da empresa em determinada data.
Os principais capítulos do balanço patrimonial são:
ATIVO
(o que a empresa possui -bens e direitos-)
PASSIVO
(o que a empresa deve -obrigações-)
PATRIMÔNIO LIQUIDO
(a diferencia entre o ATIVO e o PASSIVO)
O Balanço Patrimonial está
baseado na seguinte fórmula:
ATIVO - PASSIVO =
PATRIMÔNIO LIQUIDO
Ou seja, o Patrimônio
Liquido é a diferença entre os valores que a empresa possui (comprado à vista,
à crédito, etc.) e os que a empresa deve.
Para sua exposição
dentro dos capítulos de ATIVO ou PASSIVO, as contas são classificadas segundo
seu grado de liquidez, ou seja: segundo a sua facilidade para se transformar em
dinheiro. Assim, se analisamos um balanço patrimonial simples, dentro do ATIVO primeiro encontraremos o capítulo
de ATIVO CIRCULANTE, as disponibilidades em efetivo (dinheiro
em Caixa ou em Bancos); logo aparecerá o capítulo de ATIVO EXIGÍVEL, as contas por receber (os Devedores); logo
aparecerá o capítulo de ATIVO REALIZÁVEL,
os estoques de mercadorias a serem vendidas; e, no final aparecerá o capítulo
de ATIVO PERMANENTE, os bens de uso
(móveis e imobilizados).
Dentro do PASSIVO, primeiro encontraremos o
capítulo de PASSIVO CIRCULANTE
(dívidas com vencimentos menores do que um ano) e, logo, o PASSIVO EXIGÍVEL A LONGO PRAZO (dívidas com vencimentos superiores do
que um ano).
O último capítulo do
balanço é o PATRIMÔNIO LÍQUIDO, onde
se mostram as contas de CAPITAL (os
valores aportados pelos sócios) e as contas de RESULTADOS (resultado do exercício e os resultados acumulados dos
exercícios anteriores).
Este relatório é
utilizado para apresentar a situação da empresa a uma determinada data. É a
fotografia da empresa em esse momento. A classificação das contas nos capítulos
de ATIVO, PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO, permite ao leitor ter uma idéia da
situação econômica e financeira da empresa. As contas dentro do ATIVO mostram
como o dinheiro foi utilizado e as contas de PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO
mostram como o ativo foi financiado (as fontes de fundos), com crédito (fundos
de terceiros) ou com fundos próprios (capital aportado pelos sócios ou fundos
gerados pela atividade da empresa e retidos internamente).
Dado que o Balanço
Patrimonial só mostra a situação da empresa numa certa data (normalmente ao fim
de um ano de atividades), vai ser necessário analisar vários balanços
consecutivos para poder ter uma idéia clara da evolução da empresa.
DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DO EXERCÍCIO:
No Balanço Patrimonial,
dentro do capítulo “Patrimônio Líquido” aparece a conta RESULTADO DO EXERCÍCIO
com seu saldo na data da preparação do balanço. A Demonstração de Resultados do Exercício mostra as causas que geraram
esse resultado positivo ou negativo dentro do período analisado (normalmente
de 12 meses).
Este demonstrativo, na
sua forma mais simples, se estrutura assim [1]:
Vendas
de Produtos
Vendas
de Mercadorias
Prestação
de Serviços
(-) DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA
Devoluções
de Vendas
Abatimentos
Impostos
e Contribuições Incidentes sobre Vendas
= RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA
(-) CUSTOS DAS VENDAS
Custo
dos Produtos Vendidos
Custo
das Mercadorias
Custo
dos Serviços Prestados
= RESULTADO OPERACIONAL BRUTO
(-) DESPESAS OPERACIONAIS
Despesas
Com Vendas
Despesas
Administrativas
(+/-) DESPESAS FINANCEIRAS LÍQUIDAS
Despesas
Financeiras
(-)
Receitas Financeiras
Variações
Monetárias e Cambiais Passivas
(-)
Variações Monetárias e Cambiais Ativas
(+/-) OUTRAS RECEITAS E DESPESAS OPERACIONAIS
= RESULTADO OPERACIONAL LÍQUIDO
(+/-) RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS
(+)
Receitas Não Operacionais
(-)
Despesas Não Operacionais
= LUCRO LÍQUIDO ANTES DO IMPOSTO DE
RENDA E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL E SOBRE
O LUCRO
(-) Provisão para Imposto de Renda e
Contribuição Social Sobre o Lucro
= LUCRO
LÍQUIDO ANTES DAS PARTICIPAÇÕES
(-) Participações de Administradores, Empregados, Debêntures e Partes Beneficiárias
(=) RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO
O leitor observou que da
RECEITA OPERACIONAL LIQUIDA são deduzidos custos
e despesas. É a mesma coisa falar de
custo que de despesa? Não, porém muitas vezes esses termos se confundam.
Custo: são os valores pagos para produzir os bens ou
serviços fornecidos aos clientes (matérias primas, materiais, mão de obra,
etc.)
Despesa: são os valores pagos para manter o
funcionamento da empresa (aluguel do prédio do escritório, luz, água, materiais
de escritório, salários do pessoal administrativo, honorários profissionais,
etc.).
Por exemplo, si temos
uma fábrica que produz bolo de limão onde o prédio para a fabricação do produto
pertence à empresa e o prédio dos escritórios é arrendado, dentro dos custos (valores pagos para produzir o bolo de limão),
vamos encontrar:
·
os valores pagos para comprar
os ingredientes do bolo (farinha, ovos, limão, etc.);
·
os valores pagos pelos salários
e benefícios dos funcionários que trabalham na fabricação do bolo;
·
energia elétrica, água, gás,
utilizados na fabricação do bolo;
·
dentre outros.
dentro das despesas (valores pagos para manter
funcionando a empresa), vamos a encontrar:
·
os valores pagos pelo aluguel
dos escritórios;
·
os valores pagos pelos salários
e benefícios do pessoal que trabalha na administração;
·
os valores pagos para comprar
os materiais de escritório;
·
dentre outros.
A análise deste
relatório mostra a composição do resultado das atividades da empresa no
período. Uma melhor análise pode ser feita dispondo de vários demonstrativos
consecutivos.
Esses dois relatórios
contábeis são os básicos, mais não são os únicos. Existem mais dois: Mutações
do Patrimônio Liquido e Fluxo de Caixa.
Como seu nome o indica,
o demonstrativo das Mutações do
Patrimônio Líquido mostra as mudanças acontecidas dentro desse capítulo do
Balanço Patrimonial no período analisado (normalmente um ano). Partindo dos
saldos no início do exercício (inicio do ano fiscal) se mostram as mudanças nas
contas do patrimônio líquido para chegar aos saldos no final do exercício (fim
do ano fiscal).
Por último, temos o
demonstrativo de Fluxo de Caixa, que
mostra as causas da variação no capítulo das DISPONIBILIDADES (dinheiro em
caixa e banco) do Balanço Patrimonial.
Conclusão
O intuito deste artigo
não é fazer um manual de análise de demonstrações financeiras (a informação
fornecida neste artigo acerca dessas demonstrações é básica), mas tentar
mostrar aos pequenos e médios empresários que a contabilidade oferece muito
mais do que “(...) os holerites, DARFs e GPSs da vida (...)”.
Reconheço que, na
maioria dos casos, os responsáveis pelas empresas não são experts em Contabilidade e Finanças, porém, existem profissionais
que podem ajudá-los a entender esses números e tomar decisões baseadas nessas
demonstrações contábeis.
Então, voltando ao
início do artigo quando fazíamos referência à caixa preta.
Geralmente, quando
ouvimos mencionar que “a caixa preta foi aberta”, imediatamente pensamos num
grande acidente; porque as caixas pretas geralmente são abertas após um
acidente. E as conseqüências desses acidentes são, na maioria das vezes, muitas
perdidas (vidas e muito dinheiro).
Agora, pensando nessa
associação Caixa Preta-Contabilidade. Assim como as caixas pretas dos aviões, a
contabilidade também registra “(...) os dados de performance como velocidade,
aceleração, altitude e ajustes de potência, entre tantos outros (...)” (vendas
à vista e a crédito, compras à vista e a crédito, impostos gerados, descontos
concedidos, custos e despesas, entre outros).
A vantagem principal da
“caixa preta da contabilidade” e os seus relatórios, por sobre todas as outras
caixas pretas, é que ela pode ser aberta a qualquer momento e... não é necessário esperar até um acidente
acontecer para ler o seu conteúdo.
[1] Extraído do Portal de Contabilidade (http://www.portaldecontabilidade.com.br)

http://www.bsbassociados.com.br
sbianchi@bsbeassociados.net
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3 respostas para "A “CAIXA PRETA” DA CONTABILIDADE" 
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disse isso no 13 Aug 2008 3:44:41 PM PST
Muito válido este alerta. Transformar os dados contábeis em informações gerenciais, é uma ferramenta relevante para uma boa gestão administrativa.
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disse isso no 05 Nov 2008 6:04:10 PM PST
Apreciei muito o artigo. Precisamos que os profissionais contábeis venham a se preocupar em dar qualidade maior aos seus serviços. É preciso investir mesmo nos clientes que demonstrem insensatez.
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disse isso no 25 Nov 2008 5:59:24 AM PST
Prezado Samuel P. Marques:
Muito obrigado pelo comentário.
Ao longo da minha vida profissional tenho trabalhado com muitos clientes que podem cair dentro da categoria de "INSENSATOS".
Muitas vezes é por causa da sua pouca profissionalização para gerir o negócio, outras vezes é devido ao "Super Simples". Eles acham que pagar a taxa de imposto devida, de acordo com o nível de faturamento dos últimos 12 meses, é suficiente.
E ... eles esquecem de abrir a "caixa preta da contabilidade", dado que na maioria dos casos, essa contabilidade não existe.
Se quiser falar mais com relação a este tópico, o nosso site é: http://www.bsbassociados.com.br e meu e-mail: sbianchi@bsbassociados.com.br
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