Ele trabalhava como engenheiro na mesma empresa desde que se formara. De vez em quando aceitava projetos free-lance, encomendados por particulares. João gostava tanto desses trabalhos eventuais que até seu humor melhorava.


Maria ensinava Arte Barroca na mesma universidade em que se graduara, mas gostava mesmo era de organizar exposições em museus, sobretudo para o público infantil. Infelizmente as oportunidades eram raras e, por isso, na maior parte do ano ela lecionava. Embora isso não a tornasse uma profissional realizada, possibilitava bons rendimentos e uma vida tranqüila.


O aborrecimento que João sentia no trabalho se estendia aos outros aspectos de sua vida. A comemoração do aniversário de casamento era um exemplo disso, há anos eles iam jantar no restaurante em que haviam tido seu primeiro encontro. Tudo sempre tão igual.


No início não fora assim. Por muito tempo ir àquele restaurante lhe renovava a emoção dos primeiros beijos. Aquele bistrô, implantado bem no meio do alvoroço da cidade barulhenta, simbolizara a força de sua paixão e os pactos de felicidade eterna que fizeram no início do relacionamento, por isso, logo depois do casamento, eles combinaram de sempre comemorar com jantares os acontecimentos importantes de sua vida em comum.


Mas, agora, para João, a magia do lugar se dissipara. O restaurante tornara-se apenas um local para comer. Como em tudo, só haveria o tédio das coisas conhecidas. Entretanto, para evitar desentendimentos com a mulher, ia, mais uma vez, comemorar o aniversário de casamento ali.