A chegada da TV digital no Brasil
“Ela ta chegando!”. Muitos já devem ter ouvido isso na campanha de
divulgação da TV digital. Assistindo essa campanha parece que vai haver
uma verdadeira “revolução” no nosso modo de assistir TV. De fato
algumas coisas irão mudar, mas não é tanto assim.
A questão da
interatividade ainda é muito nebulosa. Como podemos pensar em
interatividade via TV quando temos a interatividade via internet, quais
serão as diferenças? Será de fato interativo como na internet, onde
podemos escrever e divulgar fotos e vídeos, ou será “interativo”, onde
poderemos escolher o melhor ângulo da câmera no futebol ou ler notícias
em tempo real?
Outras qualidades do sistema de TV digital são o som e a
imagem de DVD. De fato isso é bom. Mas isso é realmente motivo de tanto
alarde? As concessões de TV estão nas mãos das mesmas emissoras. A
programação dos novos canais que surgirão (um deles a TV Brasil e mais
dois canais públicos e/ou estatais) ainda não está clara. Se tomarmos
como base os canais públicos e estatais já existentes, não há muito
motivo para ânimo.
Assim como nos canais abertos, há uma ou outra coisa
da programação que se aproveita. Nossa “liberdade de escolha”
televisiva não terá muito ganho: Continuaremos com a mesma qualidade e
variedade de programação. Essa é (ou era...) a hora do governo tentar
democratizar o sistema de TV brasileiro permitindo que surgissem mais
emissoras para que nós pudéssemos ter uma maior liberdade de escolha da
programação, diminuindo o oligopólio da TV brasileira.
Na queda de
braço entre as emissoras e as empresas de telecomunicação pela escolha
do sistema de TV digital, ganharam as emissoras, que preferiam o modelo
japonês, em detrimento do modelo europeu, que permitiria que as
empresas de telecomunicação entrassem no negócio. As emissoras, com
medo da concorrência fizeram muita pressão, com medo de ter que
enfrentar concorrência e ver diminuir ainda mais seus ganhos com
publicidade, já que o bolo publicitário seria mais dividido, assim como
a audiência. Na TV digital apenas uma coisa me parece já certa:
Continuamos “escolhendo” entre “Faustão” e “Gugu”, porém com alta
qualidade de som e imagem.