Decerto que não. Ainda que pareça uma resposta intempestiva, para muitos que têm pressa em negar Marx, “decerto que não” é uma assertiva que nada tem de apressada, pois entendem que o capitalismo contemporâneo não traz mais nenhum vestígio daquele que fora exposto nas páginas de O Capital. “Que importa!”, diriam os que acreditam que Marx já dissera tudo que tinha de ser dito. É irrelevante, acrescentariam, discutir se o mundo mudou ou não. Se este continua capitalista, nada, de essencial, foi alterado: sua fome voraz por mais-trabalho é bem maior do que nunca. Duas posições
radicalmente opostas que, no entanto, se originam de uma mesma idéia: a desnecessidade da reflexão. Ora, se o saber imediato houvesse de ser critério de verdade, então, seria legitimo declarar como verdade toda e qualquer fantasmagoria[1], seria fazer da ciência uma conversa de mesa de bar. Até mesmo o fato de este autor estar aqui e agora diante deste computador, esta sua atividade imediata é mediada por toda uma história de vida e do contexto social em que ela se insere. Não há, portanto, conhecimento imediato. Todo saber imediato é produto e resultado do saber mediado[2]. Nesse sentido, não há respostas fáceis, prontas.