Por Débora Borsatti.

Só o que está morto não muda! Repito por pura alegria de viver: A salvação é pelo risco, Sem o qual a vida não vale a pena!!!" Clarice Lispector É incrível como o ser humano se acomoda com as situações... Como a mudança causa mal estar, mesmo quando vem para melhorar. A resistência em adquirir novos hábitos é algo que permeia nosso universo humano. Será medo do novo? Do que encontraremos? Ou será mera preguiça ou comodismo mesmo? Nosso cérebro se acostuma a fazer as coisas do mesmo jeito e então aquilo se torna automático. Mudar significa “reestruturar”uma função mental, e mudar padrões mentais é algo que exige uma energia a ser despendida. Escrevo sobre isto, porque percebo muitas pessoas que não estão felizes com seu trabalho, relacionamento, enfim com sua vida e, no entanto não pensam no que podem fazer para mudar, dar um novo rumo. Acham que estão fadadas a ficarem desse jeito. Morei em Florianópolis um tempo e por escolha agora voltei para Santa Cruz do Sul. É impressionante como as pessoas me perguntam por que eu voltei para “essa” cidade, dizem que sou louca... Só que não se dão conta que “essa” cidade que eles dizem não gostar é a cidade em que moram também... Por que não vão
embora, se estão tão infelizes aqui? Na vida não escolhemos onde nascer, o resto do caminho nós fazemos. “Ah, mas tenho meu trabalho aqui, minha família, é difícil encontrar emprego em outro lugar, não é bem assim para ir embora, etc.” Essas são as respostas que escuto quando questiono. Isto se chama comodismo, é mais fácil ficar onde tenho tudo (mas estou infeliz) do que enfrentar as dificuldades, mas ir busca de uma experiência ou de uma alegria. Ouve-se diariamente falar na situação do planeta Terra, do aquecimento global. É sabido que as ações devem ser tomadas para ontem para salvar nosso planeta e estamos vivendo ignorando esse fato, cada vez mais consumo, desperdício, como se nada estivesse acontecendo, simplesmente por que não queremos mudar nosso estilo de vida. Não queremos trocar nossos confortáveis carros por bicicletas ou ônibus. É evidente que a humanidade encontra-se em um período de crise, basta assistirmos aos telejornais para ver as mazelas e histórias esdrúxulas todos os dias serem jogadas na nossa cara. E mesmo assim continuamos querendo essa vida onde se prioriza o TER (porque isso é sinônimo de felicidade), o consumismo desenfreado, que faz com que as pessoas vivam para o trabalho para poderem adquirir mais e mais e o SER (onde está a real felicidade) fica em esquecido. Infelizmente muitas vezes precisamos passar por crises para mudarmos, a crise nos tira do comodismo nos sacode como quem diz: acorda!!!