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Tipos de solos brasileiros.
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Luiz Alberto Brandão
Graduado em Geografia pela UFRJ e em Relações Internacionais pela UNESA. Trabalha como pesquisador do CNPQ no laboratório de gestão do território (LAGET) na UFRJ. Pretende publicar artigos com conteúdo científico para uso da sociedade civil em geral. 
por Luiz Alberto Brandão
Publicado 16/03/08
 
O artigo pretende demonstrar a metodologia para classificar um solo, e explanar sobre os três principais tipos de solos brasileiros segundo aspectos socioeconômicos.

Pedologia
Os principais tipos de solos brasileiros em relação à extensão geográfica e importância socioeconômica.

Base para classificação dos solos

Para classificar um solo primeiramente é necessário definir o horizonte diagnóstico em relação ao perfil daquele solo (ver figura 1 perfil do solo). Esse horizonte deve representar um equilíbrio entre os fatores de formação do solo e suas características específicas irão definir a qualidade e o tipo de solo.

Na maioria dos casos, o horizonte B é utilizado como diagnóstico que irá definir o tipo de solo (em alguns poucos casos o horizonte C é usado). Isso se deve ao fato de ser intermediário e ter muito do material original, mas que já foi modificado por fatores do intemperismo. Descarta-se o horizonte A, pois nesse ambiente já houve excessiva interferência do “homem” e o horizonte C (embora em alguns casos seja usado) pela dificuldade do acesso e pelo fato de ser muito influenciado pelo material de origem (parental), dessa forma não representa a influencia de fatores como o clima.

Levantamento dos solos (três etapas)

-  mapeamento pré-campo (analisar mapas e informações já existentes sobre o local “alvo”)

-  mapeamento de campo (analise de perfis de solo, coleta de amostras)

-  análises de laboratório (determinar as propriedades físicas, químicas e mineralógicas dos solos, determinar as propriedades mecânicas se preciso, etc)

Os mapas produzidos depois de uma análise dos solos podem ser classificados em: Naturais ou Técnicos. Sendo o primeiro uma etapa preliminar para o segundo.

Na classificação natural será enfatizado os tipos de solos semelhantes  (as classes de solo). Já no técnico será produzido em relação a característica técnica que se quer atingir (ex: susceptibilidade de erosão, capacidade de uso da terra, disponibilidade hídrica, etc)

Obs: em ambos os casos o maior e menor detalhamento depende da escala utilizada.
 
Classificação dos principais solos encontrados no Brasil

A classificação dos solos pode ser feita segundo diferentes critérios. A ênfase na utilização de critérios genéticos, morfológicos ou morfogenéticos varia de país para país, o que dá origem a diferentes classificações pedológicas. Contudo no nosso estudo iremos utilizar o método brasileiro.

O Brasil situa-se quase inteiramente no domínio tropical úmido (exceto a região Sul e o Nordeste semi-árido). Esta situação, aliada a estabilidade estrutural de seu embasamento, que desde o final do Cretáceo não sofreu movimentações de grande porte, leva a predominância de uma cobertura pedológica que reflete, de maneira acentuada, o fator climático como preponderante na sua formação. Nessa escala de análise, rocha original e condições topográficas locais tem importância secundária.

Os solos brasileiros são bem estudados, existindo um serviço cartográfico da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) que vem realizando, desde a década de 1960, levantamentos cartográficos sistemáticos do território brasileiro. Esses trabalhos permitiram o desenvolvimento de uma classificação própria, publicada em 1999, subdividindo os solos em classes, com seis diferentes níveis hierárquicos. O primeiro nível comporta 14 classes e nós iremos enfatizar os mais predominantes em relação à extensão territorial. As três classes mais freqüentes em relação a representação geográfica no Brasil são: o latossolo, o argissolo e o cambissolo.

- Os latossolos (solo bem evoluído , laterizado, rico em argilominerais e oxi-hidróxidos de ferro e alumínio)

-  Os Argissolos (solo bem evoluído, argiloso, apresentando mobilização de argila da parte mais superficial)

-  Os Cambissolos (solo pouco desenvolvido, com horizonte B incipiente)

 
Latossolos (síntese)

São formados pelo processo denominado latolização que consiste basicamente na remoção da sílica e das bases do perfil (Ca2+, Mg2+, K+ etc), após transformação dos minerais primários constituintes. Os latossolos apresentam tendência a formar crostas superficiais, possivelmente, devido à floculação das argilas que passam a comportar-se funcionalmente como silte e areia fina. A fração silte desempenha papel importante no encrostamento, o que pode ser evitado, mantendo-se o terreno com cobertura vegetal a maior parte do tempo, em especial, em áreas com pastagens. Essas pastagens, quando manejadas de maneira inadequada, como: uso de fogo, pisoteio excessivo de animais, deixam o solo exposto e sujeito ao ressecamento.

Os latossolos são passíveis de utilização com culturas anuais, perenes, pastagens e reflorestamento. Normalmente, estão situados em relevo plano a suave-ondulado, com declividade que raramente ultrapassa 7%, o que facilita a mecanização. São profundos, porosos, bem drenados, bem permeáveis mesmo quando muito argilosos, friáveis e de fácil preparo. Apesar do alto potencial para agropecuária, parte de sua área deve ser mantida com reserva para proteção da biodiversidade desses ambientes. Um fator limitante é a baixa fertilidade desses solos. Contudo, com aplicações adequadas de corretivos e fertilizantes, aliadas à época propícia de plantio de cultivares adaptadas, obtêm-se boas produções. No Cerrado, os latossolos ocupam praticamente todas as áreas planas a suave-onduladas, sejam chapadas ou vales. Ocupam ainda as posições de topo até o terço médio das encostas suave-onduladas, típicas das áreas de derrames basálticos e de influência dos arenitos.

Argissolos (síntese)

São solos minerais, não-hidromórficos, com horizonte A ou E (horizonte de perda de argila, ferro ou matéria orgânica, de coloração clara) seguido de horizonte B textural, com nítida diferença entre os horizontes. Apresentam horizonte B de cor avermelhada até amarelada e teores de óxidos de ferro inferiores a 15%. Podem ser eutróficos, distróficos ou álicos. Têm profundidade variadas e ampla variabilidade de classes texturais. Nesses solos, constata-se grande diversidade nas propriedades de interesse para a fertilidade e uso agrícola (teor variável de nutrientes, textura, profundidade, presença ou ausência de cascalhos, pedras o concreções, ocorrência em diferentes posições na paisagem, entre outras). Dessa forma, torna-se difícil generalizar suas qualidades. Problemas sérios de erosão são verificados naqueles solos em que há grande diferença de textura entre os horizontes A e B, sendo tanto maior o problema quanto maior for a declividade do terreno.

Quando a fertilidade natural é elevada e não há pedregosidade, sua aptidão é boa para agricultura. São particularmente indicados para situações em que não é possível grandes aplicações de capital para o melhoramento e a conservação do solo e das lavouras, o que é mais comum em áreas de agricultura familiar. Apesar de não ocorrerem em grandes áreas contínuas no Cerrado, sua presença é freqüente. Ocupam, na paisagem, a porção inferior das encostas onde o relevo apresenta-se ondulado (8% a 20% de declive) ou forte-ondulado (20% a 45% de declive).

Cambissolo (síntese)

O Cambissolo é um solo pouco desenvolvido, com horizonte B incipiente. Uma das principais características dos Cambissolos é serem pouco profundos e, muitas vezes, cascalhentos. Estes são solos "jovens" que possuem minerais primários e altos teores de silte atê mesmo nos horizontes superficiais (os latossolos, por exemplo, podem ter muita areia ou argila, mas nunca têm teores altos de silte). O alto teor de silte e a pouca profundidade fazem com que estes solos tenham permeabilidade muito baixa. O maior problema, no entanto, é o risco de erosão. Devido à baixa permeabilidade, sulcos são facilmente formados nestes solos pela enxurrada, mesmo quando eles são usados com pastagensl. Contudo, existem cambissolos muito férteis no Brasil (com exceção do Cerrado).

 
Bibliografia

TEIXEIRA, Wilson; MOTTA, Cristina; FAIRCHILD, Thomas; TAIOLI, Fabio, Decifrando a Terra editora USP e oficina de textos

www.embrapa.br