Nasceu na cidade de Barreiras em 1970, é pedagoga, pós-graduada em Especialista em Educação Infantil pela Universidade do Estado da Bahia - UNEB, mestranda em Ciências da Educação Entendendo a educação como um processo contínuo e cultural do
ser humano, a infância se caracteriza como categoria histórica social de
direitos a uma prática educativa de qualidade compreendendo as especificidades
da criança. Logo, é imprescindível que vislumbremos o ser humano como ele é.
Assim, compreender o ser humano é
compreender sua unidade na diversidade, sua diversidade na unidade. É preciso
conceber a unidade do múltiplo, a multiplicidade do aluno (MORIM, 2000.p.55),
INSTRUMENTOS AVALIATIVOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Claudenice Costa de Souza[1]
Entendendo a
educação como um processo contínuo e cultural do ser humano, a infância se
caracteriza como categoria histórica social de direitos a uma prática educativa
de qualidade compreendendo as especificidades da criança. Logo, é
imprescindível que vislumbremos o ser humano como ele é. Assim, compreender o ser humano é compreender sua
unidade na diversidade, sua diversidade na unidade. É preciso conceber a
unidade do múltiplo, a multiplicidade do aluno (MORIM, 2000.p.55),
Dentro dessa
visão holística, a instituição infantil em creche e pré-escola, devem estar de
acordo com a lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, aprovada em 20 de
dezembro de 1996, no seu artigo 31, onde afirma que: “na Educação Infantil a
avaliação far-se-à mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento,
sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental”.
Sendo assim,
a prática avaliativa da instituição de Educação Infantil, expressa no seu
contexto escolar, deverá respeitar cada momento da vida da criança no seu tempo
de ser e desenvolver, sendo, portanto, significativa.
Para a
garantia dos direitos da criança enquanto cidadão historicamente situado no
contexto em que vive, a avaliação permite o acompanhamento das conquistas,
dificuldades e possibilidades apresentadas durante a realização das atividades
propostas, em que as situações de aprendizagem devem ser criadas para o seu
desenvolvimento físico, intelectual, psicológico e social, com isso, percebe a
importância do registro como forma de acompanhar o processo de desenvolvimento
do aluno.Segundo Madalena Freire (1989,p.5)
“Porque é importante registrar? O ato de conhecer é importante? Então
estar implícito o conhecimento como ato social a que esse educador faz
história. Não existe sujeito do
conhecimento sem apropriação de história. É o registro que historifica o
processo para a conquista do produto histórico. Possibilita também a
apropriação e socialização do conhecimento E a construção da memória, como
história desse processo”.
Sendo assim,
o registro no processo avaliativo se torna um elemento indissociável do
processo educativo. Processo educativo este apresentado como conjunto de ações
que tem como função a observação, o acompanhamento, o registro para orientar e
redirecionar o processo pedagógico como um todo. Deve, ainda, se constituir
numa prática sistemática e contínua, tendo como princípio a melhoria da ação
educativa, envolvendo a criança, a professora e a instituição. Segundo Jussara
Hofmann (1992,p. 32), a avaliação é a reflexão transformada em ação, não
podendo, portanto, ser estática nem ter caráter sensitivo e classificatório.
Por
conseguinte, não existe instrumento de avaliação capaz, por si só, de detectar
a totalidade do processo de conhecimento de uma pessoa. Por isso, faz-se
necessário pensar em instrumentos diversificados e possíveis de atender às
especificidades do desenvolvimento e
aprendizagens das crianças.
Diante das
considerações pedagógicas explicitadas neste contexto, é importante que se
definam instrumentos específicos para avaliação nas classes de educação
infantil, considerando as singularidades e diferenças de cada proposta
institucional e pedagógica da qual a criança participa. Assim sendo, por ser
uma prática diagnóstica, processual e contínua, à avaliação é dado o atributo
de responsável pelo processo de ensino e aprendizagem no trabalho educativo. À
vista disso, se fez necessário que instrumentos avaliativos devessem ser definidos
para que a avaliação infantil ganhasse efetivamente condições pedagógicas para
ser implementada no âmbito educativo.
Para tanto,
esses instrumentos foram divididos em duas etapas: a primeira apresenta
sugestões em que a professora pode escolher de acordo com o projeto de
aprendizagem que está sendo desenvolvido pelas crianças, buscando atender as
peculiaridades e objetivos propostos, são eles: dossiê, portfólio e atividades
escritas. Na segunda etapa, são apresentados e os instrumentos necessários para
o trabalho de acompanhamento, tanto da professora quantos da supervisão
pedagógicos, que são: ficha de registro docente e relatório individual, das
crianças. Cada um deles será explicitado a seguir:[i]
Dossiê: Atividade
organizada individual ou coletivamente, obedecendo a uma seqüência cronológica
no processo de desenvolvimento da criança, que, junto com a professora, pode
ser colocada numa pasta ou colada no caderno, podendo ser uma atividade ao mês,
por exemplo.
Portfólio:
Instrumento de registro construído coletivamente durante o período estabelecido
pelo grupo no projeto de aprendizagem, sem a necessidade de estar numa
seqüência cronológica. Caracteriza-se pela comunicação escrita entre a
professora e a criança ou entre as crianças da classe, objetivando a percepção
das conquistas individuais e coletivas no processo de desenvolvimento das
crianças. Pode-se construir um portfólio por classe para acompanhar o desenvolvimento de um projeto de
aprendizagem da criança. É importante considerar que o portfólio é um excelente
instrumento para o registro e acompanhamento das atividades realizadas ao longo
do desenvolvimento de um projeto.
Atividades
escritas: mimeografadas ou não, estas atividades devem ser
elaboradas conforme a proposta de
aprendizagem que está sendo desenvolvido pelas crianças. Isto quer dizer que a
professora e a supervisão pedagógica devem ter clareza quanto à
internacionalidade educativa da atividade que será proposta, pois, além de
estar relacionada à temática de trabalho do projeto, deve Ter significado real
para as crianças.
Nesse
sentido, é importante evitar modelos estereotipados que em nada contribuem para
o desenvolvimento da criança. É necessário que as atividades façam a criança
pensar, refletir, buscar informações, duvidar, trabalhar individualmente e em
grupos, estabelecer relações com o meio em que vive e com as experiências de
aprendizagem criadas pelo projeto.
Questões de
ordem técnica devem ser consideradas pelos profissionais ao elaborarem as
atividades escritas que serão realizadas pelas crianças, como: letra de
imprensa maiúscula, clareza e objetividade nos enunciados, inserção de imagens
ou desenhos quando necessários ao contexto das questões, número de itens de
acordo com a fase de desenvolvimento das crianças, legibilidade quando
mimeografadas e com organização espacial coerente, para que a criança possa se
expressar livremente.
Outra
consideração importante para o trabalho com as classes de educação infantil,
considerando a idade das crianças, é que as atividades ou registros só poderão
ser entregues às crianças quando estas participarem de outras experiências de
aprendizagem que envolva trabalho corporal e musical, em situações dentro e
fora da sala de aula. Haja vista o envolvimento das práticas de falar, escutar,
ler, escrever e contar através de jogos e brincadeiras, somente depois é que
poderão sistematizar essas experiências numa atividade escrita.
O dossiê, o
portfólio e as atividades são instrumentos para serem utilizados pelas crianças
e professores de acordo com a forma de sistematização das atividades propostas
pelos projetos de aprendizagem que venham, efetivamente, contribuir nos
registros sobre o desenvolvimento das crianças, buscando sempre melhores
condições pedagógicas de planejamento para a ampliação das experiências de
aprendizagem para todos envolvidos.
Os
instrumentos, tais como ficha de registros e relatórios, são necessários ao
trabalho pedagógico nas classes de educação infantil e, para serem efetivamente
utilizados precisam do compromisso político da professora para a prática de
anotações diárias no seu caderno de planos sobre o trabalho realizado, o
desenvolvimento das crianças, as dúvidas, as dificuldades e as conquistas.
Assim sendo, o trabalho da supervisão pedagógica poderá oferecer possibilidades
reais de formação em serviço quando realizado sob os apontamentos da professora
e do seu cotidiano vivido com as crianças. É, portanto, um espaço de formação
coletivo em que aprendeu junto o saber e o fazer pedagógico no trabalho com a
criança da educação infantil. A concepção de cada um dos instrumentos
supracitados está apresentada a seguir:
Ficha de
registro docente: Instrumento de registro do desenvolvimento de cada
criança observado pela professora e por outros profissionais da instituição
durante a realização das atividades propostas. Tal ficha coletará dados para a
construção do relatório individual feito durante o bimestre letivo,
considerando as frases de desenvolvimento da criança e os objetivos do projeto
de aprendizagem.
Partindo do
princípio de que, cada criança está em constante evolução cognitiva,
acredita-se que a ficha irá registrar os avanços contínuos e progressivos no
decorrer de um bimestre para o outro assim como as dificuldades apresentadas
pela criança durante a realização das atividades propostas.
Relatório: Texto
escrito que registra a ação da criança durante a realização das atividades
propostas, contextualizando, nos objetivos dos projetos de aprendizagem e na
internacionalidade pedagógica daquele período, as observações na ficha de
registro de cada criança. As informações do relatório devem ser discutidas com
a supervisão pedagógica para que sejam apresentadas, de fato as conquistas e
também as dificuldades das crianças para que intervenções sejam planejadas com
maior fidedignidade às necessidades e curiosidades das mesmas.
O texto do
relatório deve ser claro e objetivo, com linguagem acessível aos pais ou
responsáveis das crianças, pois se constitui em instrumento necessário para o
acompanhamento da família. Com as informações documentadas nas fichas e no
relatório, os professores, a supervisão pedagógica e a direção da instituição
poderão além de refletir, acompanhar e avaliar o trabalho realizado, cabendo à
direção sistematizar os dados coletados e informar aos pais ou responsáveis a
avaliação da aprendizagem das crianças. Fazendo isso, o trabalho pedagógico
estará completando a ação da família e da comunidade, uma vez que a
contribuição dos pais ou responsáveis é fundamental para o processo de
organização do trabalho pedagógico da instituição.
A
organização e higiene dos instrumentos de avaliação utilizados nas classes de
educação são questões de ordem técnica que implicam em práticas de cuidados que
educam as crianças quanto à capacidade estática e de valorização do trabalho
pedagógico da instituição.
Assim,
juntos todos, os instrumentos apresentados possibilitam que a instituição,
através do trabalho pedagógico e administrativo realizado, sensibilize pais ou
responsáveis para participarem e se envolverem nos projetos de aprendizagem
realizados na instituição, acompanhando efetivamente o desenvolvimento e a
aprendizagem das crianças. Pois, a atitude de registro do docente sobre o seu
fazer diário implica uma postura de pesquisador, um momento que reflete a sua
prática e cria condições de ensino que garantam o desenvolvimento e a
aprendizagem da criança.
Por fim, não
é demais esclarecer que em nenhum momento deve-se atribuir valor numérico às
atividades escritas ou orais realizadas pelas crianças. À vista disso, os
registros do desenvolvimento e aprendizagem da criança serão feitos em fichas
próprias, conforme já explicitado, com a finalidade de coletar dados para que o
relatório seja construído pela professora ao final de cada bimestre,
contextualizando as informações de momentos específicos da participação da
criança nas atividades propostas.
Nesse
sentido, faz-se necessário que o professor tenha uma postura dialógica diante
dos instrumentos avaliativos que são inseridos na Educação Infantil, para que
os resultados sejam considerados de forma a possibilitar a construção do
conhecimento das crianças, onde elas aprendem de modo integral, ou seja,
exercitado o desenvolvimento afetivo,
social, cognitivo e intelectual.
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[1] Claudenice
Costa de Souza, Pedagoga, Especialista